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Motociclismo e a Sociedade

Confronto entre Davi e Golias


25/09/2017 12h34

Conflitos no trânsito existem desde o tempo que os veículos eram tracionados por animal, e foram aumentando paulatinamente com o progresso da motorização dos veículos, o que fez com que a velocidade e quantidade dos mesmo fossem crescendo, e com isso aumentando também o número de vias e de pedestres.

Nos tempos de hoje com o trânsito congestionado das grandes cidades, o número de conflitos no trânsito se multiplicaram, não só em quantidade, mas também em violência, inclusive com mutilações e mortes.

Mas uma modalidade de conflito que cresceu em demasia foi os conflitos entre motociclistas e motoristas, até aí tudo normal, pois como foi dito acima os conflitos no trânsito só aumentam. Entretanto, o que está me chamando atenção é que os motociclistas, sejam eles profissionais que trabalham com motocicletas, ou motociclistas estradeiros e de motos pesadas, se envolvem em conflitos com motoristas e vão atrás do carro, ônibus ou mesmo caminhões, tomarem satisfações por uma fechada, ou por quase um acidente. E aí a coisa fica muito perigosa.

Vou citar dois exemplos que vi acontecer recentemente, um deles no trânsito, e outro na estrada: Estava eu vindo de uma viagem oriunda do Sul de Minas, quando passou por mim um motociclista pilotando uma BMW, passou, mas não se distanciou muito. Um pouco mais adiante o mesmo motociclista quando fazia uma ultrapassagem em um caminhão, não sei por que motivo o caminhão, talvez para se desviar de alguma coisa, guinou bruscamente para a esquerda em direção ao motociclista, que teve que fazer uma pequena evasão mais para a esquerda para não ser atingido pelo caminhão, com certeza levando um grande susto, mas felizmente nada aconteceu. Para mim estava tudo encerrado, não passando apenas de mais um incidente tão comum em nossas rodovias, mas o motociclista não entendeu assim, ao invés de ir embora, ficou ao lado do caminhão dirigindo impropérios e palavrões ao motorista. Fiquei de longe observando quando de repente o motorista jogou o caminhão brusca e violentamente para cima do motociclista, o atingindo, e o derrubando. Um acidente desnecessário que só prejudicou o motociclista. Esse acidente teve outros desdobramentos, mas que não cabe aqui.

De outra oportunidade, acompanhei na ponte Rio-Niterói, também outro motociclista que levou uma fechada violenta de um automóvel e partiu atrás do mesmo e quando emparelhou o motorista abriu a janela do carro apontou uma arma para o motociclista, e pasmem atirou, por sorte não acertou o colega.

Tudo isso nos demonstra a nossa fragilidade na relação duas e quatro rodas, somos a parte fraca dessa relação, podemos estar cheios de razão, mas a força está com os veículos de quatro rodas.

É claro que nenhum cidadão gosta de levar desaforo para casa, mas há um velho ditado que diz: “Mais vale um covarde vivo do que um valente morto”.

Nós motociclistas, devemos ter em mente que no trânsito, somos a parte que tem mais a perder, pois estamos muito vulneráveis em relação aos demais veículos. Recomendo se foi só uma fechada, ou outra qualquer imprudência provocada por outro veículo, mas que não nos atingiu, que sigamos em frente, não fiquemos valente e tomemos satisfação ou partamos para ofensas, pois pode custar mais caro do que só um susto.

Recordemos da história bíblica do pequeno Davi e o gigante Golias. O menor venceu o maior com inteligência e com a ajuda de Deus.

O motociclista inteligente, pilota com atenção, utilizando-se da pilotagem cuidadosa, respeitosa e defensiva, com isso consegue vencer o gigante Golias sem se machucar.

Sonivaldo Vieira Leite
15 textos publicados

67 anos, Casado, Pai de 5 filhos, Engenheiro de Vôo Aposentado, trabalhou na Varig por 39 anos, Motociclista desde 1.972 ininterruptamente. Atualmente possue uma Fat Boy e uma Street Glide ambas 2015 e integrante do Moto Clube Águias de Ouro

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