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Motociclismo e a sociedade

Encontros Motociclísticos para Motociclistas


09/02/2017 12h07

Os encontros ou eventos motociclísticos que hoje são realizados pelo Brasil, tiveram início na década de 90, coincidindo em parte, com a abertura das importações de veículos, proporcionando aos consumidores a compra de motocicletas novas, e com isso incentivando as longas viagens com maior segurança e conforto.

Salvo engano, eu me recordo que o Evento de Miguel Pereira iniciou-se em 1998, o de Cabo Frio em 1997, o de Tiradentes em 1992 e o de Rio das Ostras em 1995, dentre outros.

Naquela época esses eventos, eram em sua maioria, organizados por motociclistas, tão somente com foco no próprio motociclista.

Mas com a necessidade de se fazer o melhor possível para o conforto e o lazer dos participantes, buscou-se patrocínio com as Prefeituras, comerciantes, com a rede hoteleira e etc.

E com isso esses eventos começaram a chamar a atenção das populações das cidades aonde os mesmos aconteciam.

E o que se vê hoje são Mega Eventos, aonde as pessoas, mesmo não tendo qualquer ligação com motociclismo , comparecem em peso, para ver as motos, os motociclistas, ouvir e ver as bandas de rock.

Por um lado isso é bom paras as cidades e para os comerciantes, mas por outro lado, entendo que nós motociclistas ficamos um tanto prejudicados. E por que faço essa afirmação?

Na década de 90, quando os eventos se iniciaram, a rede hoteleira, exercitava preços menores para os motociclistas. Os restaurantes, com o intuito de atrair mais clientes, proporcionavam pratos a preços especiais para nós motociclistas, até porque, nós éramos os protagonistas dos encontros.

Hoje a coisa mudou muito, o que vemos são os hotéis fazendo “pacotes” para todos os dias do encontro a preços maiores que os dias normais, e inclusive não ofertando, por exemplo, apenas um dia de pernoite, sim porque alguns motociclistas, por problemas de trabalho ou financeiro, não podem estar por todos os dias na festa. Entretanto, alheio a tudo isso, os hotéis e pousadas só vendem “pacotes” fechados e o motociclista que se lixe, ou vá dormir na área de camping que os organizadores sempre reservam.

Os restaurantes por sua vez aumentam os preços de seus pratos, quando no meu modo de ver, deveriam diminuir. Eu mesmo tive um exemplo recente, quando fui a uma cidade uma semana antes de um encontro e comi um prato por R$ 32,00, na semana seguinte retornei a mesma cidade, ao mesmo restaurante e solicitei o mesmo prato da semana anterior, e mesmo então, estava agora custando R$ 39,00, ou seja, aumento de 20% no bolso do incauto motociclista.

Os eventos continuam sendo chamados de Encontro de Motociclistas, mas me parece que não o é mais. Creio que deveriam ser chamados de Encontro da Prefeitura, Encontro da Cidade, ou mesmo de Encontro de Comerciantes.

O motociclista deixou de ser protagonista para ser coadjuvante.

É claro que não estou aqui generalizando, pois o fenômeno descrito acima está ocorrendo nos grandes eventos. Mas ainda existem muitos pequenos e médios encontros que mantém a tradição, ofertando aos motociclistas boas hospedagens e alimentos a preço justo e principalmente a amizade tão decantada por todos nós, amantes das duas rodas.

Entendo que é chegada a hora de os organizadores desses encontros, sentarem-se a mesa de negociação e combinarem que o motociclista que chegar aos hotéis e restaurantes em sua motocicleta e apresentar sua habilitação para pilotar motos em dia, tenha um tratamento diferenciado, com relação aos valores, daqueles apenas admiradores do motociclismo.

E às Prefeituras e comerciantes das cidades, aonde acontecem os encontros, eu sugiro que nunca esqueçam que somos os idealizadores dessas festas que tanto bem e divisas trazem para as suas cidades, que somos os protagonistas dessa história, e finalmente também não esqueçam, que, se nós motociclistas não comparecermos as suas cidades, não acontecerão essas tão esperadas festas.

Sonivaldo Vieira Leite
12 textos publicados

67 anos, Casado, Pai de 5 filhos, Engenheiro de Vôo Aposentado, trabalhou na Varig por 39 anos, Motociclista desde 1.972 ininterruptamente. Atualmente possue uma Fat Boy e uma Street Glide ambas 2015 e integrante do Moto Clube Águias de Ouro

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