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Motociclismo e a Sociedade

Mecânico ou Mexânico


23/04/2017 22h28

Quando adquirimos uma motocicleta de alta cilindrada, não devemos esquecer quando a garantia de fábrica, em algum momento, quase sempre em torno de 02 anos se extingue, variando um pouco de uma marca para outra, teremos que buscar um bom mecânico para cuidar de nosso brinquedão, ou continuarmos cuidando dos mesmos nas concessionárias, pagando os tubos pelos serviços de manutenção que forem necessários.

Durante o tempo coberto pela garantia, apesar de pagarmos caro pelas revisões, pelo menos temos a sensação de segurança, pois os mecânicos das revendedoras, pelo menos teoricamente, devem ter o curso das máquinas que adquirimos, e farão os serviços de acordo com o cuidado e dentro dos regulamentos preconizados pelas fábricas e que merecemos, até pelos altos preços que pagamos pelas nossas motos.

Mas na maioria dos casos, ao se encerrar a garantia, procuramos mecânicos em oficinas que não são representantes das fábricas, para fugirmos dos altos preços exercidos pelas concessionárias. Eu particularmente recomendo que nos utilizemos de oficinas utilizadas por algum colega que já cuide de sua moto nas mesmas. Pois se assim não fizermos estamos correndo riscos enormes de termos nossas motos descaracterizadas e até mesmo sofrermos algum tipo de incidente ou até mesmo acidentes.

O fato é que com o enorme crescimento na venda de motocicletas no Brasil, ocorreu também um crescimento no número de oficinas comandadas por pessoas que vieram da mecânica de automóvel ou fizeram um cursinho de mecânica de motocicletas com a duração de um mês e abrem uma portinha qualquer com o letreiro “MECÂNICO DE MOTOCICLETAS DE TODAS AS MARCAS”, e ficam no aguardo dos incautos.

Tenho escutado e conversado com diversos colegas que passaram por situações perigosas por terem se utilizado daquelas oficinas, como por exemplo: Um colega me contou que fez uma revisão em sua moto, incluindo a troca do óleo do motor. Ao sair da oficina e subindo a Grajaú Jacarepaguá o bujão de dreno do óleo caiu, e além do vazamento total do lubrificante, o mesmo por ser na frente da roda traseira, fez com que a moto derrapasse perigosamente, não o derrubando, por sorte.

Outro colega me relatou que após a troca de um rolamento de roda, ao iniciar uma viagem, a roda, que teve o rolamento trocado, começou a vibrar fortemente e foi constatado a posterior que a roda não havia recebido o aperto necessário, recomendado pelos manuais técnicos da fábrica.

E ainda outro me contou que após uma revisão com troca de velas, uma delas em viagem foi expelida do cilindro, prejudicando a viagem.

A colocação de peças paralelas ou de outras motocicletas que não originais, sem o conhecimento do proprietário, e cobrando o preço de peças originais é uma constante nessas oficinas.

Esporadicamente, tenho escutado colegas dizendo: “Quem não tem dinheiro para fazer a manutenção de motos de alta cilindrada, não deve compra-las, deve adquirir uma 125 que a manutenção é barata”. Eu não concordo totalmente com esses dizeres. Pois não é justo o cidadão acalentar um sonho de ter uma motocicleta pesada, conseguir compra-la, e por culpa da política cambial exercida pelo nosso governo, não poder fazer a manutenção de seu veículo como deveria, em função dos altos impostos cobrados na entrada de peças e acessórios e ter que improvisar a manutenção naquelas oficinas citadas acima, para economizar um pouco de dinheiro.

O correto, no meu modo de ver, seria o governo desonerar de impostos exorbitantes essas peças e acessórios, pois é o mesmo governo que autoriza a instalação de fábricas no país, ou a importação dessas motocicletas. Mas o que acontece é que o governo cobra de nós proprietários 50% de impostos sobre o valor das peças, além dos comerciantes gulosos que colocam lucros também exorbitantes na venda daquelas peças.

Então, em função disso surgem aquelas oficinas, além da falta de responsabilidade desses “mexânicos” que se predispõem a fazer manutenção de motocicletas, sem terem a menor condição de fazer.

Tenhamos então, muito cuidado na escolha de nossos mecânicos, pois os mesmos são similares a médicos, pois em última instância, eles também cuidam de nossas vidas.

Sonivaldo Vieira Leite
12 textos publicados

67 anos, Casado, Pai de 5 filhos, Engenheiro de Vôo Aposentado, trabalhou na Varig por 39 anos, Motociclista desde 1.972 ininterruptamente. Atualmente possue uma Fat Boy e uma Street Glide ambas 2015 e integrante do Moto Clube Águias de Ouro

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