Colunistas

Motociclismo e a sociedade

Quem ama até troca, mas, por uma mais nova.


09/12/2017 14h08

Ola, amigos, especialmente aos amantes das duas rodas. Hoje fazem quatro anos que peguei a estrada, pela última vez, com a minha fantástica "NEGONA". Uma Harley Davidson, modelo Rocker, 2009, marcando em seu odômetro, os 96.000 Kms rodados, quando fui para São Paulo entregá-la ao seu novo guardião.

Como muitos sabem, tive algumas ótimas motocicletas, a maioria delas de marcas japonesas, até que, no ano de 2013 passei para as HDs do modelo Street Glide, da qual ainda possuo uma do ano 2016. Porém (que as outras não fiquem sabendo) a Negona foi a minha grande paixão das duas rodas.

Como todos nós sabemos, um grande amor pode se acabar, mas as lembranças dos bons momentos, das imagens produzidas, das emoções apresentadas e das amizades surgidas, estas jamais fugirão de nossa memória.

Hoje, após quatro anos sem a companhia ela, narro como foi meu regresso, ao Rio de Janeiro,, naturalmente de avião, naquela fatídica tarde de quarta-feira, sem a minha Negona.

Lógico que essa narrativa, me permito, com um pouco de humor, mas sendo bastante fiel pela forma como os fatos aconteceram. Após deixá-la em São Paulo, de onde seria levada para Araçatuba, fui para o aeroporto e, foi lá que "caiu a ficha", pois, a sensação de perda e arrependimento me trouxeram algumas lágrimas aos olhos e essas foram observadas por uma Comissária de bordo, já dentro do avião, quando já me encontrava com o cinto afivelado.

Diante daquela cena, a jovem aeromoça, sensibilizada, pergunta-me se eu estava passando bem, se já havia andado de avião, o que estava sentindo, o que poderia ter acontecido para eu estar daquele jeito e, finalmente, o que ela poderia fazer para acalmar-me, uma vez que era nítida a minha tristeza.

Diante daquele gesto simpático e agradável, virei-me para ela e disse: - Obrigado por sua atenção minha querida, estou bem, mas estou assim por ter deixado, aqui em São Paulo, um grande amor e sei que não a verei nunca mais!!.

Mais uma vez, aquela agradável funcionária, receosa por pensar na perda de alguém por falecimento, arriscou em julgar tratar-se de uma grande mulher, afastada por outros motivos. Porém, sem titubear disse: - Não fique assim, o senhor é novo e vai encontrar outra, sem duvidas.

Aí foi quando eu esclareci a ela o que ocorrera para eu estar, nitidamente, daquele jeito, não sem antes passar a ser, também, observado por outra senhora que havia acabado de sentar-se ao meu lado.

E assim eu disse: - Sabe, minha querida, foram mais de 96.000 quilômetros, trepados nela, por todo esse Brasil, durante quase quatro anos, por isso, essa minha tristeza.

Diante de minha informação, bastante contundente, ela perguntou-me de quem eu estava falando e de quem se tratava. Aí que eu, finalmente, esclareci: - Minha querida, estou falando de uma motocicleta, que esteve comigo durante esse tempo todo e que me levou aos mais longínquos recantos desse nosso Brasil.

Após aquela simples e inesperada explicação, nossa conversa se encerrou por ali sendo, apenas, completada pela informação daquela prestimosa comissária de que mandaria alguém trazer um copo de água para tentar amenizar aquele meu "injustificável" sofrimento, não sem antes ouvir, da minha vizinha de poltrona, a seguinte indagação: - agora entendi, Senhor..., tudo isso por uma motocicleta né? Isso é o que eu chamo de amor!

Cel Dario Cony
28 textos publicados

Coronel da PMERJ, já aposentado. Motociclista Brevetado, com o CFoMES - Curso de Formação de Motociclistas Escoltas e Segurança, concluído em 1979 na Instituição. Como Capitão, foi Coordenador de diversos desses Cursos no Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). Motociclista desde os 21 anos, é casado com Nádia Cony, e Presidente do Family Cony's Motocycle Group, RJ. Como experiente motociclista, é possuidor do Patch de 100.000 Milhas do HOG ( HARLEY OWNERS GROUP). Sua paixão são as estradas, as quais, curte com a sua conhecida " Negona III", uma Harley Davidson, Street Glide / Preta e Dourada, 2016. Seu sonho: Conscientizar os irmãos motociclistas que: " A Motocicleta é um meio de curtir a vida, e não, um objeto para buscar a morte".

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