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Motociclismo e a Sociedade

Viajar é preciso, mais escolher o parceiro é necessário


15/08/2017 15h47

O ponto alto do motociclismo são as viagens de longo curso. Pois de que adianta possuir uma motocicleta estradeira para ficar andando de casa para o trabalho, ou mesmo de casa para a concessionária da marca da moto, é um grande desperdício de investimento, pois motocicletas estradeiras não são baratas.

Muitos motociclistas quando pensam em viagens longas, imaginam que basta apenas, preparar bem a sua moto em termos de manutenção, escolher bem os equipamentos de segurança, inclusive roupas apropriadas para a chuva , fazer um bom roteiro de viagem, estudar bem as rodovias por onde passarão, os locais de abastecimento, os hotéis de pernoite, preparar-se bem financeiramente e cair na estrada.

Aí convidam para viagem alguns parceiros que estejam disponíveis e vão a luta. Passado os primeiros quilômetros começam as desavenças, pois é característica dos seres humanos as diferenças entre eles, diferenças essas que são arraigadas há bastante tempo nos hábitos e costumes de cada um, que são difíceis de modificar de repente.

No caso de motociclistas, além das diferenças pessoais que são bem aceitáveis, existem diferenças que não combinam com viagens de longo curso, como por exemplo: fumantes, que precisam parar de vez em quando para fumar, enquanto os demais não fumam, e por isso, não querem parar para esperar o parceiro dar as suas pitadas. Outros gostam de parar para almoço ou lanches demorados, enquanto outros se sentem melhor fazendo apenas lanches rápidos. Alguns só abastecem em postos de gasolina de determinada marca, enquanto os demais param em qualquer outro posto de bandeira quando a gasolina está no final. Alguns só têm resistência para rodar, por exemplo: 500 Km por dia enquanto outros resistem até 800 Km. Existem aqueles que não rodam na chuva de maneira alguma, enquanto os outros diminuem a velocidade e continuam a viagem embaixo de chuva. Existem motociclistas que só pernoitam em hotéis de luxo, enquanto alguns preferem dormir em hotéis de beira de estrada. Até o estilo da motocicleta de cada um, pode ser um fator de problemas nas viagens de longo curso. Um item que também proporciona alguns problemas é a velocidade que cada um dos componentes gosta ou consegue rodar.

Eu ficaria aqui, páginas e página enumerando as diferenças que podem atrapalhar o bom andamento de uma viagem de longo curso. Mas os exemplos dados acima já são suficientes para podermos observar como é complicado passar dias e dias viajando e tendo que conviver com as diferenças entre os parceiros de estrada.

Eu sei de histórias verídicas de viagens, nas quais as diferenças e desavenças foram tantas que geraram brigas, dividindo um grupo em dois ou três, Indo um para cada lado. Ou seja, a viagem foi um fracasso.

Eu particularmente possuo alguns milhares de quilômetros em viagens de longo curso, com diversos parceiros, e nunca tive qualquer tipo de problema, e tenham a certeza que não foi pura sorte. Mas sim fruto de algumas medidas que devem ser tomadas antes de qualquer longa viagem. As quais, considero serem muito importantes para o sucesso da mesma: Antes de escolher a parceria para viagens longas, é necessário, definir parceiros que já tenham algum tempo de conhecimento entre si, que já tenham rodado juntos em pequenos passeios, pois assim, já teremos conhecimento da maneira que cada um gosta rodar. Deve-se ter o cuidado de escolher colegas com o mesmo estilo de motocicletas. Não dá para misturar, por exemplo: “racer” e custom. Não vai dar certo. Em função do conhecimento que temos dos componentes escolhidos, já sabemos de antemão as manias e caraterísticas gerais de cada um.

É muito importante um bom bate papo, também chamado de “briefing” que deve ser feito algum tempo antes do início da viagem, pois é nessa hora que se combina todas as nuances da viagem: Como o roteiro, as cidades que serão os locais de pernoite, a qualidade dos hotéis, a quilometragem que deverá ser feita por dia, o tempo médio de parada para abastecimento e paradas para esticar as pernas, a velocidade média que será empregada, em caso de problemas com as motos, qual serão as atitudes a serem tomadas. Enfim é onde tudo é combinado, pois o que é combinado é bom para todos e evitam problemas.

Um fator de grande importância nas longas viagens é já de saída definir quem será o líder, e que todos aceitarão o comando desse líder por toda a viagem, sempre o ajudando nas decisões que deverão ser tomadas no decorrer da viagem, e não o contestando quando por algum motivo a decisão do mesmo não ser a mais acertada para o momento.

Os componentes, devem procurar fazer a viagem mais alegre, segura e feliz possível, para isso, temos que ser tolerantes, flexíveis, sem vaidades, solidários e principalmente compreensivos um com os outros.

E para encerrar recomendo que nas viagens de longa duração não se deva construir um grupo muito grande. No meu modo de ver o número ideal para essas empreitadas são no máximo quatro.

Sonivaldo Vieira Leite
14 textos publicados

67 anos, Casado, Pai de 5 filhos, Engenheiro de Vôo Aposentado, trabalhou na Varig por 39 anos, Motociclista desde 1.972 ininterruptamente. Atualmente possue uma Fat Boy e uma Street Glide ambas 2015 e integrante do Moto Clube Águias de Ouro

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