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Realizando um sonho: Atacama de moto!
Está aí a trupe que saiu as 6:00 hs do dia 14/02 rumo a Castelo Branco! Eu, Ricardo (Grandão) e Byron (Mineiro) de V-Strom, o Walter (Wartão) de Ulisses e o Wagner (Wagão) de Gold Wing.
As fotos foram tiradas já no Paraná, chegamos em Foz a tardezinha e no hotel já havia outros motociclistas que também iriam para o Atacama.
A expectativa no início da viagem é muito grande, um misto de medo do desconhecido, com alegria de estar realizando o sonho da primeira grande viagem de motocicleta, entre a turma eu não conhecia praticamente ninguém, somente o Ricardo e ainda assim muito pouco, mas este é outro aprendizado da viagem, saber xingar mas também a calar, exigir e ceder e por aí vai.
A elevação do pensamento ao Grande Pai também era uma constante dentro do capacete, seja para agradecer a oportunidade de estar ali, seja para pedir atenção e proteção na estrada, que graças a Ele foi totalmente correspondida, já que não tivemos nenhum susto ou momentos de perigo.

Este é o equipamento básico, os baús foram até meio vazios, não usei toda roupa que levei, a mala de tanque é de muita valia nas viagens longas, pois fica tudo na mão, em nenhum momento dispensei a jaqueta de cordura, pois sempre na estrada você leva uma pedrada ou bizorrada, apesar do calor, segurança acima de tudo!
Na aduana foi tranqüilo e até rápido, encontramos uns dois ou três grupos de motos indo para o Atacama, de BMs a Saharas, com pilotos de 18 a 60 anos, todos com aquele sorrizinho de satisfação no canto da boca, não adianta, quem gosta de moto quer estar na estrada, sentindo calor e frio, sol e chuva, acenando para as crianças no banco traseiro, buzinando para os caminhões que sinalizam a ultrapassagem, cumprimentando os carros que piscam os faróis, enfim, uma festa só!

Nosso 1º posto YPF depois da fronteira, as lojas de conveniência são a salvação, tem ar condicionado e água gelada, sempre ficávamos uns 20 minutos descansando depois de rodar 150 a 200 km.
Sempre que havia colocávamos a gasolina comum deles que é de 86 octanas e nos postos mais baratos custavam $2,25 pesos, equivalente a R$ 1,57, depois vem a gasolina Super com 93 octanas, ao preço de $3,00 pesos, ou R$ 2,10 e por último a Fangio com 98 octanas, mas esta não usei em nenhum momento, para quem está acostumado no Brasil com 68 octanas é um desperdício.

Nossa primeira parrillada argentina, restaurante simples mas com ar condicionado, ai foi impossível não tomar uma cerveja de litro, mas apenas dois copinhos, já que tinha muita estrada pela frente, a parrillada nada mais é que um espeto corrido, vem carnes de todos os tipos, inclusive a lingüiça de chouriço, miúdos de boi e afins, neste restaurante o acompanhamento foi com mandioca cozida, mas no geral é batata frita ou purê, achamos poucas vezes arroz e feijão nem em sonho, as saladas também são bem fraquinhas, no geral alface picado com rodelas de tomate mucho, mas nos alimentamos muito bem, sempre paramos para almoçar e quando chegávamos ao destino saíamos para jantar e daí sim saborear umas cervejas argentinas.

Na Argentina e também no Chile, as capelinhas e pequenos altares em memória dos mortos são uma constante, neste coreto muitas e muitas paravam para tirar foto, o Mineiro já estava me esperando neste ponto, então aproveitei para tirar umas fotos.

A partir daqui já começaram nossas fotos com a população local, vem os pais os filhos, as crianças fazem pose em cima da moto, enfim, novamente uma festa só.

Enquanto eu e o Mineiro saboreávamos nossa primeira Quilmes chegou um grupo de umas 8 motos da Zona Leste de SP que também estavam indo para o Atacama, perguntamos sobre nossos amigos atrasados e informaram que a Buel havia quebrado o câmbio, foi um balde de água fria, a primeira pergunta que vem a cabeça: E agora? O que fazer?
Não havia comunicação a longa distância entre o grupo, a VIVO simplesmente não funciona fora do Brasil, nos informaram que eles estavam uns 50 kms para trás...

Depois de um tempo decidimos que eu iria entrar em Itati, cidade que se encontrava em frente ao posto e solicitar ajuda, o problema era meu portunhol, rs.
O mineiro ficou no posto e eu parti para a cidade, infelizmente não tirei nenhuma foto mas a cidadezinha era aconchegante, apesar da terra e pó.
Perguntando e gesticulando muito cheguei a delegacia, pleno domingão a tarde, os policiais assistindo um jogo de futebol e explicando que um companheiro estava quebrado na estrada, um dos guardas subiu numa lambreta e me levou até a casa de um morador que fazia fretes, imediatamente ele pegou a chave da pick-up caindo aos pedaços e prontificou-se a buscar a moto, não sem antes certificar-se se era menor que as V-Stroms.
No caminho, antes do posto de gasolina, o mineiro já vinha em minha direção, o Wagão e o Grandão já haviam despachado a moto e seu dono de volta para Posadas.
Parei a pick-up expliquei que já haviam resolvido o problema, ele cobrou apenas $10 pesos.

Aqui uma foto gentilmente cedida pelo Grandão com a Buel encaixotada.
Perdemos um parceiro de viagem, que muito nos entristeceu, pois todos nós colocamo-nos em seu lugar, e deve ter sido bem difícil para o Wartão voltar depois de apenas um dia e meio de viagem, mas com certeza ele já está se preparando para a próxima, e todos esperamos que não seja de Buel, rss.
Seguimos para Resistência, pegamos um pôr de sol lindo em cima de uma bela ponte, o Grandão sacou uma foto que aguardo ele enviar, procuramos um hotel e achamos o mais purgueiro da cidade, foi o pior de toda a viagem, mas serviu para descansar o esqueleto para seguir no próximo dia.
O fato marcante do hotel, além das baratas, foi uma troupe de artistas que estavam de saída para um show, havia uma meia dúzia de anões e duas “gatas” que saíram quase peladas do hotel para a Van.
É claro que todos os anões tiraram fotos na Gold do Wagão, onde chegava aquele ônibus era um alvoroço só, rs.

Este é o chaco, planície total, retas intermináveis e um calor infernal, é aí que os pneus vão embora, meu anakee deverá ser trocado com uns 13.000 km, o anterior durou 22.000 km.
Água vai de balde, comprávamos sempre de 2 litros e dividíamos nas garrafinhas menores, neste trecho também não há problemas com gasolina e se for necessário dormir tem várias cidadezinhas em volta, encontramos diversos animais soltos, uma cabritinha ameaçou cruzar minha frente mas voltou correndo, valeu o susto, pois daí por diante quando avistávamos os bichos diminuía bem a velocidade.

Taí o Wagão querendo pegar um cordeiro pro churrasco, mas o cachorro não estava querendo dar mole não!
Não se enganem este trecho da estrada está bem longe da foto anterior, o visual é sempre o mesmo.
Tivemos sorte por pegar o acostamento roçado, parece que as vezes o mato chega até o asfalto, daí fica muito mais perigoso rodar e não perceber a presença dos animais.

Futuros viajantes, guardem bem este lugar, é um posto policial no meio do chaco, é tipo um pedágio na cara dura, o guarda pára você, não se acanhe de pedir para estacionar embaixo das árvores, marca numa folha os documentos de uma ou duas motos e já pede uma contribuição, também não se acanhe de ofertar 2 pesos e boa.

A Gold imponente debaixo da árvore, uma sombrinha era sempre bem vinda.
O mineiro não perde uma oportunidade para fazer seu paiero, nas cidades grandes a molecada via ele fazendo o cigarrinho é já ficavam todos sorridentes e cutucando um ao outro imaginando ser o cigarrinho do capeta, hehehe.

Mais um sombrinha na beira da pista, como comentei as estradas argentinas tem capelinhas praticamente a cada 10 kms, nesta região que passamos são todas pintadas de vermelho com bandeirolas sinalizando-as, esta é uma das mais simples mas tem de todos os tamanhos, não descobrimos se é para homenagear os mortos ou algum santo.

Este é o final da Ruta 16, ver as montanhas me motivou a sacar uma foto, percebam a mão do mineirinho fazendo outro cigarrim, quando falo não exagero, rs.
No fim desta pista entramos na Ruta 9 e chegamos a Salta.

Mirante na entrada da cidade de Salta, já observamos o primeiro pico nevado da viagem!
Esta camisa branca me deixou barrigudo, não usarei mais!
O Ricardo com complexo de inferioridade subiu num banquinho para sair na foto!
O Mineiro quando tomava cerveja conseguia fazer o cigarrinho com uma mão só!
O Wagão e sua inseparável camiseta amarela, quando ele saia ela adquiria vida própria e seguia atrás dele!
Neste dia, é claro que o mineiro se perdeu da gente, achamos o Apart Hotel Marilian ao preço de $120 pesos para duas pessoas, recomendo para os viajantes, e o Grandão saiu em sua captura, quando voltou a moto apresentava falha, tipo um cilindro a menos, isso fez mudarmos os planos de viagem e ficar mais um dia em Salta, mas isso foi até bom, pois depois de rodar três dias nada como um descanso e serviu para conhecer um pouco de Salta, uma cidade agradável e acolhedora.
Um passeio pelas ruas de Salta!

Bela arquitetura e ótimo jogo de luzes!

O Grupo V-Strom Brasil sendo devidamente representado, o Wagão fazendo sua graça, aliás, sem ele a viagem não teria sido tão divertida!
Neste dia experimentamos a carne de lhama, apesar de que perdemos de degustar este cordeirinho aí debaixo!

Dentro de um restaurante e da rua também podia-se observar este belo espetáculo para a gula humana, rs.

A vista da cozinha do apart-hotel, entrava um arzinho bem gelado pela manhã.
Os cafés-da-manhã ou desayuno compõem-se de água quente, leite em pó, nescafé, dois “croassant”, dois pãezinhos tipo folheados (uma delícia) e manteiga e geléia em potinhos.
Nos banheiros, todos tem banheira e cortina de plástico, é duro lavar os pés lá dentro, em pé é claro, rs.
Deitado tomei apenas uma vez, um dia que não conseguimos abrir a ducha e o hotel trocava o quarto somente em outro bloco, quem desce com bagagem de moto sabe a tralha que é, então ficamos por lá mesmo, aliás, no último dia de viagem, já em Campo Mourão/PR subi para o quarto somente com uma bermuda, o chinelo e a escova de dentes, hahaha, por isso nestas viagens longas nada de muita roupa, em suma é o seguinte:
01 calça comprida, 01 bermuda, 04 cuecas (pois tem dia que nem cueca você quer lavar quando chega no hotel, hahahaha) umas 03 camisetas, 03 meias, um chinelo, uma botinha ou tênis e só meu irmão, o resto é só pra fazer volume e peso em cima da moto, você chega depois de um dia de viagem, toma um banho, põe o bermudão aquela camiseta já usada umas três vezes, o chinelão havaiana no pé e sai a pé para tirar o pó da garganta e encher a pança com as guloseimas locais, depois é cama e pronto, no outro dia, põe a 2ª pele a cordura, que o Mineiro ensinou a virar ao contrário quando chega e acomoda-la no chão, bem esticadinha para secar, hehehe e pau na máquina, talvez na próxima viagem eu leve uma escovinha com cabo de madeira para ir limpando os insetos da roupa de cordura e assim parecer mais asseado, pelo menos na hora do almoço, rs.

Sabem o que é isso?
Acreditem, uma farmácia, não sei nas grandes capitais, mas aqui no interior não tem essas coisas não!

Um modelito argentino, não é a V-Mang é a V-Men!
Única moto “grande” vendida por lá (pelo menos na Honda) é a Transalp.
Vimos poucas motos, viajando então, só brasileiros!

A cidade de Salta vista do teleférico!

Carros antigos e velhos, andando junto com carros novos e de todas as marcas conhecidas!

E para finalizar uma excelente parrillada num ótimo restaurante somente para nós, afinal eram 15:30 hs de uma terça-feira, como é bom ser turista!!
Aliás, foi um cara de BMW GS que nos levou neste restaurante, uma das poucas motos grandes que conhecemos, convidamo-lo para “almoçar” mas ele estava trabalhando.
No outro dia seria o grande dia, a travessia do Paso de Jama, segundo dizem os mais viajados, uma das mais lindas passagens dos Andes!

Primeira foto do dia, uma estrada, numa serra, com uma pista só, e este nascer do sol com a brisa gelada e a máquina a seu dispor, quer mais o que?

O início da subida rumo a Paso de Jama!

Leitos de degelo, este ainda tinha um fio de água, a maioria já estava completamente seco.

Ricardo, nosso guia, nosso tradutor, nosso cambista, valeu mermão!!

A diversidade de formas, cores e tamanhos é coisa de outro mundo!

Só digo uma coisa – Vale a Pena!

Para quem ainda tem medo de moto, é esta visão que você tem em cima dela, o preço é tomar chuva, sentir calor ou frio, etc, etc, mas a sensação de liberdade e a sincronia com o ambiente compensam tudo isso!

Uma subida e tanto, aqui a falta de ar já era latente!

Aqui estávamos a 4.170 mts, dar uma corridinha nem pensar!

O comboio.

Depois do marco de 4.170 mts vem essa descidinha, e lá no fundo nosso primeiro Salar!

Acompanhantes no caminho, ovelhas, alpacas, lhamas...

O Salar chegando, o coração palpitando, os olhos observando mais uma cena inédita!

Chegamos, uma homenagem ao Grupo V-Strom Brasil, com certeza os relatos dos amigos só aumentam a vontade de ir pessoalmente conhecer.

Enxergar sem óculos escuros é praticamente impossível, o ar seco agora é misturado com o ardor do sal, não esqueça o protetor solar!

A rodovia corta o Salar de ponta a ponta, vários 4x4 faziam o trajeto pelo sal, arriscamos apenas algumas voltinhas.

Um pequeno cactus, os espinhos deviam medir uns 15 cms!

A cidade de Susques, chique não!

O tempo começando a fechar e o tamanho da área de escape, rs.

O posto novinho antes da aduana argentina e o início do Paso de Jama.

Nossas motos acompanhadas de várias outras em frente a aduana argentina.

A aduana, apesar do mau humor dos funcionários, foi a rápida a papelada de saída da Argentina, coisa de 15 a 20 minutos, foi aí que escutei um guarda avisando uma motorista que estava nevando lá em cima!!!

Aí é um platô Paso, a temperatura havia caído bastante e paramos para colocar mais roupa, o GPS chegou a marcar 4.800 msnm!

É um lugar especial, um silêncio total, um vento constante, uma paz superior!

Depois deste trecho esfriou mais ainda e algumas gotas de chuva viraram granizo, confesso que tremi de medo de pegar neve e cair no asfalto, mas depois meus amigos disseram que mesmo que caísse neve demoraria um pouco para acumular no asfalto.

Aqui foi o local onde meus dedos das mãos voltaram ao normal, e o coração teve um sossego, lá embaixo está San Pedro de Atacama, a 2.300 msnm.

A esquerda lá embaixo está o Salar de Atacama.
Nosso primeiro objetivo estava conquistado, após 5 dias e 3.000 km rodados!
Em San Pedro ficaríamos 3 dias, de quarta a sexta-feira.

Aqui fomos conhecer o Parque dos Flamingos, cerca de 50 km de San Pedro.

Aqui o comércio de Toconao, aceita inclusive dólares, aliás, como foi a primeira vez que viajei para fora, vi como é importante ter uns dólares na carteira.

Aqui uma estrada de rípio, estava muito bem conservada, melhor que muitas estradas asfaltadas do nosso Brasil.

O Parque dos Flamingos, tudo em volta é sal, daí fizeram estas “passarelas” para os turistas, aqui além do calor o ar salgado chega a queimar as narinas, e dá-lhe água, um dos artesanatos de San Pedro são bolsas de tricô para carregar garrafas de água a tira-colo.

Lá na frente a recepção aos turistas, vejam que é praticamente impossível andar sobre o sal.

Encontramos um casal de viajantes, estavam vindo de Ushuaia e subindo para o Alaska.
Nas estradas passamos por diversos ciclistas, duas malas no quadro da frente, duas atrás e dá-lhe estrada, o pessoal tem que ter preparo para pedalar nesta altitude.

Após o almoço fomos conhecer o famoso Vale Del Luna, realmente parece outro planeta!

Aqui uma estrada a esquerda aberta por um mineradora, neste passeio nosso guia era um brasileiro do ABC paulista, ele é filho de chilenos e nas suas férias vai para San Pedro, com o dinheiro que ganha paga as passagens e a estadia, como diz o ditado: Só não dá jeito para a morte.

Areia a vontade e as cores brancas são sal.

Uma subidinha básica, reparem os veículos lá embaixo.

O pôr-do-sol no Vale, ao fundo os vulcões.

Hora de ir embora, último dia de San Pedro que era o objetivo da viagem, praticamente começaríamos a viagem de volta, porém, não sem antes conhecer o Oceano Pacífico.

Primeiro avistamento do Pacífico, na cidade de Antofagasta, tem que sair da Panamericana para entrar na cidade; para os próximos viajantes não compensa sair da estrada, é uma cidade média e sem nenhum atrativo, fizemos câmbio e comemos um hambúrguer com abacate no recheio, rs.

O mar é agitado e as praias cheias de pedra.

A famosa mão do deserto, se descuidar passa batido por ela.

Restaurante típico da Panam, ao lado ficava o posto de gasolina, agora da Copec, na estrada poucos carros e caminhões, as cruzes em homenagem aos mortos continuavam firmes e fortes.

Aos poucos fui tomando consciência do tamanho do deserto de Atacama...
O visual até a cidade La Serena foi esse aí, fazia ter saudades das árvores do Brasil.

Mas não dava nenhuma saudade do asfalto do Brasil...

Depois de 730 km chegamos em Chañaral, uma cidade quase fantasma em frente ao mar, meus amigos queriam prosseguir, mas ventava forte e fiquei com receio de continuar, assim concordaram em ficar, mas aconselho passar batido por aí, pois não tem nada.
Neste hotel pedi um copo para tomar água da torneira e o velhote que estava na recepção gesticulou para mim tomar água com a mão, é mole, hahahaha.

Que recado meigo em frente ao hotel... No dia seguinte rodaríamos 930 Km até Los Andes, por isso compensa tocar até Copiapó, uns 150 kms a frente de Chañaral.

Saímos cedo, sem café-da-manhã pois era Domingo e de Domingo o hotel não servia café...

A Panamericana reveza, ora vê-se o mar ora não, o visual é sempre o mesmo, deserto, deserto e deserto. Vimos alguns casebres montados entre as pedras na areia da praia, muito estranho, não sei se eram pescadores ou moradores mesmo.

Almoçamos em La Serena, cidade legal, com apenas areia nas praias, merece ficar um dia para conhecer, ficamos na cidade por 3 horas, quase todas dentro deste restaurante com ar condicionado, rs.

As 16:00 Hs começam os ventos vindo do Pacífico, as motos andam de lado!

Sabem o que é aquele objeto vermelho no fim da ponte?

Isso mesmo, um biruta, e não vai pensando que é uma birutinha qualquer, era quase 1 metro de diâmetro, rs, essa foi para provar que lá venta mesmo!

Fomos parados pela Polícia, mas apenas apresentamos o RG e Carteira de Motorista e fomos liberados, não pediram a carteira Internacional.
Aqui mais um mirante, sempre acompanhado de muito vento.
Era um domingo e estávamos chegando a Santiago, assim o tráfego aumentou muito, com os chilenos voltando do fim-de-semana, mas os motoristas dirigem muito bem, respeitando as leis de trânsito, inclusive velocidade máxima, rs.
Chegamos em Los Andes a noite, novamente tivemos problemas com hotel, definitivamente os chilenos não sabem receber bem, pelo menos foi essa nossa impressão por onde nos hospedamos.
No outro dia atravessaríamos os Andes, agora pelo Paso de Cristo Redentor.

Íamos cruzar a Cordilheira agora pelo Túnel Cristo Redentor, antes dele vem os caracoles, tem um ponto exato para tirar a foto, mas não achei o lugar.

Lá em cima são túneis para a neve passar por cima...

Ao fundo um pequeno degelo, esses degelos são depois armazenados num grande lago e esta água que faz Mendoza existir.

Mais um idéia do caracoles, parece que a altura total da subida são uns 200 mts, mas é bem íngrime, tirei essa medida do GPS, mas confesso que não tenho certeza.

Lá em cima são as torres com os motores dos teleféricos para a galera esquiar, isso aqui no Inverno deve ser show, mas daí somente veículos 4x4 com correntes nos pneus tem autorização para andar por aqui.

Aqui a entrada do túnel a 3.185 msnm, não me lembro mais a extensão deve ser uns 5 a 8 kms, antes de cruzar com o primeiro caminhão o barulho foi de assustar.

Do outro lado do túnel já estamos na Argentina, porém, a Aduana é mais adiante.

Estar perto do Aconcágua também foi muito gratificante, e a paixão pela motocicleta só aumenta!!

A entrada do Parque, me disseram que são sete dias de caminha para chegar ao pé da montanha, aqui alguns mochileiros iniciando o percurso, tem que levar tudo, é camping selvagem com direito a muito frio, pelo menos o banho fica dispensado, rs.

Sua Majestade logo ali, o silêncio deste lugar é profundo, o ar gelado e puro, a sensação de bem estar é indescritível, porém, temos que andar devagar, senão, falta ar.

Olha que tristeza após 10 dias e 5000 km rodando de moto, uma dica para os futuros viajantes, leve uma malinha de tanque, e não esqueça de empapelar o tanque.

E a seqüência de visuais deslumbrantes não tem fim, percebam o nipe do azul...

Parada para o almoço, esse bife de chorizo estava simplesmente divino, e agora na Argentina voltamos a tomar cerveza, cada região tem a sua, não é que nem aqui, onde a Ambev dominou tudo...

Aqui este belo lago azul, a água barrenta com a decantação fica assim, como disse é esta água que transformou um deserto na grande cidade de Mendoza.

Mendoza é cortada por pequenas canaletas onde corre aquela água represada e assim rega as árvores, a cidade é totalmente arborizada e uma das maiores da Argentina.
Ficamos num hotel no centro e fomos conhecer algumas vinícolas, turismo basicão.
Devido ao pouco tempo não deu para conhecer muita coisa, nem comer bem.

Nas grandes lojas de motos não conseguimos trocar o óleo, assim nos indicaram esta oficina, umas três quadras abaixo da Loja Honda, fomos muito bem atendidos e rapidamente as motos estavam prontas para seguir viagem no outro dia.
O nome do mecânico é Túlio Hector Braschi, Rua Pardo 343 – F. 0261-4290410

Saímos cedo em direção a Córdoba, via Pampas e não por San Luis onde a estrada é duplicada, uma amigo de Itu, o Jonas Piloto avisou para irmos de mansinho, pois rodaríamos 280 km sem posto de gasolina, mas como havia um posto novo antes da entrada do Paso de Jama deduzimos que haveria algum posto neste trecho também, ledo engano...
Após uns 200 km com a “mão embaixo” as reservas das DLs começaram a piscar que nem doidas, o GPS Zumo do Ricardo mostrava que havia gasolina no fim desta estrada aí, como não tinha outro jeito fui procurar gasolina...

E não é que havia mesmo! Passando por esta casa, voltei para perguntar se havia alguma coisa adiante e a proprietária disse que tinha gasolinera, fomos até o fundo e vejam os galões cheios de gasolina expostos ao sol...
Voltei para a estrada para buscar os amigos e só ficou o Wagnão que não quis arriscar entrar com a Gold na terra.

Abastecemos uns 7 litros cada um, via garrafa pet, e vamos embora que o sol está pegando, daí vem a surpresa, logo a frente o Ricardo caído na estrada, a roda da frente saiu de lado ele meteu o pé no chão, fez alavanca e quebrou a tíbia, simples assim...
Como não sabíamos disso e pensávamos que era “só” uma torção, colocamos ele em cima da moto para tentar tocar mas caiu de novo, daí pensamos, phudeu!
Tentamos carona, para carregar a moto, mas sem chance, daí chegou um policial e disse que havia um posto de guarda no fim desta estrada, levamos a moto do Ricardo para lá, pois quebrou somente a bolha e um manete, colocamos o Grandão na Gold, dividimos o que deu da bagagem e tocamos para a próxima cidade que era Lujan.

Chegando lá, não havia muitos recursos, o Ricardo disse que dava para tocar, e assim seguimos para Córdoba, no total andaríamos 300 km com o cara quebrado...

Chegamos em Córdoba no final da tarde, o que vimos da cidade foi praticamente este hospital, foi um baque para todos e a viagem que estava no fim, psicologicamente terminou aí. No outro dia o Wagnão levou o Ricardo para o Aeroporto, embarcou o engessado que ainda foi fazer escala em outra cidade, só faltaram escrever Viva Maradona no gesso!

Córdoba também é uma grande cidade e possui seu charme.
Fizemos câmbio, comemos alguma coisa e no outro dia iríamos embora, agora em três motos.

Aqui, os hermanos “morderam” o Wagnão, pois a carteira de habilitação dele havia vencido no dia anterior e não adiantou argumentar que no Brasil não conseguíamos renovar a carteira antes de vencer, pura sacanagem mesmo, custou uns R$ 400,00.

Depois de um dia com quase 1000 kms no lombo, paramos numa cidadezinha turística bem pacata, as margens do Rio da Prata, chamada Yapeyu, foi a cidade natal de San Martín, o mártir Argentino.

Encontrar com uma geladeira desta, num calor danado e não poder tomar nenhuma é sofrimento, mas pilotando não dá para dar mole.

Aqui pegamos um caminho alternativo, foi muito legal e com muito menos trânsito e os hermanos nos pararam somente para perguntar sobre a viagem.
Entramos no Brasil e tocamos direto, fomos dormir em Campo Mourão, a saudade de casa era grande e queríamos chegar para o almoço.

Aqui na Castelo Branco terminou a viagem, o lugar vago entre nós é do Ricardo Grandão.
Foi uma viagem excepcional, não tivemos nenhum susto, foi tudo na maior descontração e alegria.
O roteiro que fizemos é fácil e todo asfaltado, qualquer motociclista consegue fazer, se a moto for pequena só necessita de mais tempo, nós fizemos 8000 kms em 15 dias.
Vale a pena e pretendo fazer novamente, agora com a esposa na garupa.
Abraços a todos,
James Cardoso
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