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Danuzia Pontes trocou a bicicleta pelo Honda PCX e foi viajar pela Austrália Arquivo Pessoal (Foto: FOTOS: Arquivo Pessoal)

Seção Especial

Mulheres desprezam os comentaristas virtuais e viajam o mundo em duas rodas

Elas ignoraram críticas e preconceitos das redes sociais e foram em busca de novas experiências ao guidão de uma moto


Cicero Lima / Agência INFOMOTO

Agência Infomoto

07/03/2017 18h07

“Viajar com moto pequena é perigoso”, “Esse tipo de moto não serve para esse roteiro”, “Você tem pouca experiência”. Conselhos pessimistas e preconceitos que inundam as redes sociais e os fóruns virtuais. Mas, na semana que comemoramos o “Dia Internacional da Mulher”, conheça histórias de motociclistas que deixaram tudo isso para trás, assumiram o guidão de seus sonhos e partiram para uma grande aventura de moto.

Sozinha pela Austrália

Vivendo na Austrália há 15 anos, a brasileira Danuzia Pontes já viajou de carro pelo “continente-ilha” diversas vezes. Foi a Port Douglas e Cape York, no extremo norte. Sempre sozinha. Formada em pedagogia e publicidade, a moradora de Sydney também estudou direito na Austrália. Hoje, aos 37 anos, atua na defensoria pública em prol dos ex-combatentes das Forças Armadas e da comunidade aborígene, além de atender os muitos brasileiros que residem no país.

Há pouco mais de um ano, Danuzia trocou o volante do carro pelo guidão de um scooter. Mas antes fez um “estágio” em duas rodas pedalando por Sydney, porém deixou a bicicleta de lado, “tudo por conta dos ciclistas agressivos da cidade”. Trocou sua magrela por um Honda PCX 150 e hoje só roda de scooter. “Não importa se está sol ou chuva”, afirma.

No começo desse ano, mais confiante, fez sua primeira aventura em duas rodas. Em 27 de janeiro, Danuzia saiu de Sydney as três da madrugada e foi até Muswelbrook, no interior. Apesar da pouca distância, ela levou sete horas para percorrer os cerca de 300 km que separam as duas cidades. Ao longo do trajeto repleto de longas retas, Danuzia encontrou fortes ventos e uma temperatura de 47 graus. De lá partiu para Tamworth, ainda com seu PCX 150, tudo para acompanhar um festival de música country.

Para a brasileira, o fato de ser mulher e estar em um país estrangeiro não foi um problema durante essa primeira viagem em duas rodas. Pelo contrário. “Os motoristas e caminhoneiros que encontrei foram muito legais”, relembra. Já no mundo virtual, Danuzia encontrou obstáculos, sobretudo em páginas de motociclistas. “Sempre tem alguém dizendo que a moto não é adequada, que eu teria problemas, mas simplesmente ignorei e peguei a estrada” Perguntada sobre os riscos na Austrália, Danuzia responde com bom humor: “aqui é mais fácil ser assaltada por um canguru, caso você esqueça a comida para fora da barraca, do que por humanos”.

De Biz nos Andes

No dia-a-dia, a estudante de engenharia Rebeca Bonel, 22 anos, conta com sua valente Honda Biz 125 para se locomover em Sorocaba (SP). O carinho é tanto que sua motoneta ganhou até o apelido de “Bizoca”. Companheira na rotina e também nas aventuras, a Bizoca levou Rebeca a viajar pelo Brasil – em 2015 ela foi até Florianópolis (SC), rodando mais de 1.500 km.

Como sempre sonhou em viajar para o exterior, Rebeca aproveitou as férias da faculdade e do trabalho e partiu no início deste ano para uma aventura com sua motoneta pela América do Sul. Sozinha, percorreu 8.000 km durante 24 dias, passando pelo Chile e pela Argentina. Muitos ficaram perplexos pelo fato dela sair do Brasil e viajar com aquela “motinha”, mas segundo ela, “eles ficavam admirados com minha coragem e audácia”.

Para ela, o mais difícil foi colocar o pé na estrada. “Fiquei muito ansiosa, achando que nada ia dar certo”. Depois que partiu, sentiu livre-se! No caminho, teve que dormir em locais desconhecidos “longe da civilização” e conviveu com os efeitos da altitude na Cordilheira dos Andes, o que afetava o rendimento da sua Biz 125 2006, ainda carburada. Para Rebeca o fato de ser mulher até ajudou. “Muitos ofereciam ajuda e todos me respeitavam”.

Garupa? Tô fora!

A produtora cultural e atriz Fabricia Moraes, 41 anos, é totalmente contra “garupas”. Moradora de Anapólis (GO), ela só se sente feliz mesmo ao guidão de uma das suas duas motos: atualmente uma custom Honda Shadow 600 e a superesportiva Suzuki GSX-R 750. “Se for para ir de moto, tem que ser pilotando”, afirma.

Viagens não faltam em seu currículo. A paixão por aventuras em duas rodas começou em 2002, quando passou a pilotar motos maiores. Fabricia já rodou por vários estados brasileiros, mas ainda faltam conhecer Maranhão e Pará, onde tem até parentes. Mas falta de tempo. “Além do meu trabalho que consome muito tempo, ainda faço parte de um grupo que cuida de animais abandonados”, revela. Mesmo assim, sempre encontra um espaço na agenda para pegar a estrada de moto.

Seu maior desafio é superar a altura das motos. “Tenho 1,56 m, o que dificulta manobrar as motos muito grandes, mas não me acho melhor e nem pior do que qualquer motociclista”, afirma. Em sua opinião não existe preconceito por ser mulher – “na estrada somos todos iguais” é o seu lema – nas viagens é que você conhece quem são os verdadeiros amigos, afirma.

Volta ao mundo

“Quero ir até o Alasca. De lá, vou cruzar para a Rússia e dar a volta ao mundo”, revela a suboficial, enfermeira e mergulhadora da Marinha Brasileira, Gean Neide Andrade, 49 anos. Experiência não lhe falta, afinal, com sua Honda NC 700X já rodou mais de 60.000 km. Moradora de Natal (RN), Gean já fez muitas viagens solitárias. Foi até o Deserto do Atacama, no Chile, percorrendo 17.000 km em 35 dias de aventura. Mas nem tudo foram flores. “Caí no rípio (espécie de pedregulhos) em um lugar inóspito e frio. Estava quase anoitecendo e contei com meu treinamento militar para levantar a moto e seguir viagem”, relembra.

Obstinada, Gean Neide não tem medo de encarar desafios. A motociclista já completou o Iron Butt (Bunda de Ferro, literalmente), um desafio de uma organização norte-americana que consiste em rodar 1.000 milhas, ou 1.692 km, em menos de 24 horas. “Fiz em 23 horas e 42 minutos”, orgulha-se a suboficial. Embora estejamos em pleno século XXI, muita gente ainda se surpreende quando ela tira o capacete. “Quando veem que sou mulher, percebo os olhares de surpresa”.

Paz em duas rodas

Após sofrer durante dois anos com crise do pânico, a enfermeira Gláucia Buchalla, 55 anos, encontrou nas viagens de moto um alívio. “Me trouxe uma paz que, nada nesse mundo, em toda minha vida, me trouxe. Me curou feridas do percurso”, revela a moradora da pequena cidade de São Pedro, interior de São Paulo.

Aos 50 anos e ainda nova de “Carta”, ela iria viajar na garupa do marido para Argentina e Chile. “Mesmo inexperiente, ele confiou em mim e comprei uma moto para ir pilotando”, relembra. Em sua estreia nas viagens, Glaucia rodou mais de 8.000 km com uma Honda CB 300R e não parou mais.

Com mais experiência, hoje pilota uma Harley-Davidson Iron 883 e enfrentou uma aventura ainda mais difícil: percorreu 10.500 km no Peru e na Bolívia ao longo de 32 dias de viagem. “Quando preciso, meu marido me ajuda a manobrar minha moto”, apontando sua maior dificuldade com a Harley, que pesa quase 260 kg.

Se na estrada o clima é de companheirismo e admiração, nas redes sociais encontra muitos comentários negativos. Criticando minha moto e minha falta de experiência. “Dizem que são fatores que vão atrasar a viagem”, conta Gláucia, que nem liga. “Tenho o apoio do meu marido e dos meus três filhos para ser feliz na estrada”. Gláucia já planeja a próxima aventura: Ushuaia, extremo sul do continente americano e distante 5.600 km de São Pedro. Com sua Harley, é claro.

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